Será que se eu assoviar aquela música que ela sempre gostou... Será que ela volta?
Um dia eu tive o cinismo e disse, como quem diz que o leite da geladeira acaba, acabou. Simples assim para quem está do lado de fora do enredo, acabou e pronto! E fui embora. Fiquei sabendo depois que a dor dela foi tão intensa que chegou a ser física e adoeceu.
Até nossos amigos tentaram reconciliar o que eu sempre olhei torto perante a isso.
Ah o amor. Por tantos dias contando daquela data estelar... Eu tentei. Até o momento em que bati a porta do nosso mundo e me vi de frente com aquela plaqueta de madeira que fiz: – “Aqui mora gente feliz”.
Segurei sua mão antes de atravessar a rua.
E de repente, pensei: acho que quero essa mulher para sempre.
Você e seu jeito engraçado de ser elegante, seu jeito elegante de ser engraçado.
Lembra daquela vez que eu cruzei a sala para te dar uma cantada inoportuna?
Você fingia nem perceber. Toda a sedução estava em deixar você ser assim, dama das camélias.
Com você fui até o melhor de todos os gentleman. Foi naquele jantar, em que você me deixou escolher o prato pra você. Logo você, que chegava aos lugares com o menu lido previamente pela internet e que costumava indicar os pedidos que os outros deveriam fazer. Daí te quebrei, te deixei gaga, e te apresentei cordeiro ao molho de menta. E você gostou.
Eu segurava sua mão sobre a mesa, onde uma frestinha iluminada da vela clareava o estreito espaço entre nós. E você me disse que implorava para esse momento paralisar e jamais acabar, e que jamais tinha sido tão mimada daquele jeito, e que ao segurar sua mão, a te indicar pratos de cordeiro ao molho de menta, a te servir taças de vinho e a te fazer me querer para sempre.
E num desabafo você me fala:...”Eu te adoro aos pequenos detalhes. Um deles é porque você tem esse olhar safado/cavalheiro de Matthew Mcconaughey. Ou talvez fosse só porque você é quentinho num dia frio. Eu gosto particularmente da parte quando está amanhecendo. Você é mais perfeito do que em outras horas do dia. Seus braços davam a volta no meu corpo e eu me sentia sedutoramente pequena e franzina. Acho que poderia me sentir pequena e franzina para sempre, ali. Eu ficava na cama e você ia se arrumando enquanto o quarto se perfumava de um aroma sexy, sedutor e selvagem. Aquela visão de ver você se vestindo, diria que é a melhor parte da sua abordagem de sedução. Você me arrastava até a cozinha, preparava omeletes, suco de laranja e café. Eu só assistia. Não fazia nada, a não ser deixar você cuidar de mim e de tudo. Nunca senti algo tão delicioso e simples quando saímos juntos. Você segura minha mão e assim ficava fácil da vida ganhar sentido. Acontecia em cada esquina, quando a gente parava para esperar os carros e você me beijava. E segurava a minha mão. E me beijava de novo. E de repente, eu pensei: acho que quero esse homem para sempre.”
Minha doce e eterna amada.
De mim você não esperou nada de elementar. De mim, eu sei, você sentiu saudade logo depois. Mas foi como num trecho de Lygia Fagundes Telles que o resto aconteceu.
(O meu “para sempre” virou um casamento com os mistérios. O seu “para sempre” eu nunca soube.)
Eu só sei que é do toque morno das minhas mãos sobre seu rosto frio que eu me lembro…Toda vez que a temperatura cai.
By- Cléo Araújo – Adaptação Porto Seguro