terça-feira, 24 de novembro de 2009

Uma lembrança



Anjo eterno, minha estrela ausente no céu infinito que ainda observo esperando vislumbrar-te. há tanto tempo, amor, que partiste, e ainda não passa um dia em que a tua imagem se ausente da minha mente.
A vida é uma ingrata companheira, quando permite que a morte ponha fim à felicidade...às expectativas... Foram dias de dor, de prece aqueles em que beirava o teu leito imaculado, na esperança de te ver abrir de novo os olhos lindos que só derramaram uma singela lágrima. Talvez me tivesses ouvido. Daí em diante, sinto um peso na alma e um vazio no peito.
A saudade do teu ombro amigo, do teu olhar matreiro, das tuas graças inesperadas, da tua gargalhada troante... e até do teu apetite por doces, que comias deliciado como uma criança. Eu dizia que tinha de colocar fechaduras nas caixas onde te escondia os chocolates. Agora lamento não ter permitido que te lambuzasses numa banheira de chocolate, cheia até acima, porque voltaria a ouvir-te rir e puxar-me o cabelo chamando-me "mãezinha severa". Lembras-te de te dizer que nos encontraríamos novamente, noutra vida, noutro lugar, sem a distância da idade que te levou dos meus braços e com ela um pedaço de mim? Continuo à espera dessa oportunidade, e acredita que te reconhecerei, onde quer que seja.

Escrito hoje, dia 24/11/09 na minha primeira visita a este novo blog.


abçs Diego. parabéns pela iniciativa.

By Sara Levy Lima
http://sllapontamentos.blogspot.com/

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O meu “para sempre” virou um casamento com os mistérios



Será que se eu assoviar aquela música que ela sempre gostou... Será que ela volta?


Um dia eu tive o cinismo e disse, como quem diz que o leite da geladeira acaba, acabou. Simples assim para quem está do lado de fora do enredo, acabou e pronto! E fui embora. Fiquei sabendo depois que a dor dela foi tão intensa que chegou a ser física e adoeceu.

Até nossos amigos tentaram reconciliar o que eu sempre olhei torto perante a isso.

Ah o amor. Por tantos dias contando daquela data estelar... Eu tentei. Até o momento em que bati a porta do nosso mundo e me vi de frente com aquela plaqueta de madeira que fiz: – “Aqui mora gente feliz”.

Segurei sua mão antes de atravessar a rua.


E de repente, pensei: acho que quero essa mulher para sempre.

Você e seu jeito engraçado de ser elegante, seu jeito elegante de ser engraçado.

Lembra daquela vez que eu cruzei a sala para te dar uma cantada inoportuna?

Você fingia nem perceber. Toda a sedução estava em deixar você ser assim, dama das camélias.

Com você fui até o melhor de todos os gentleman. Foi naquele jantar, em que você me deixou escolher o prato pra você. Logo você, que chegava aos lugares com o menu lido previamente pela internet e que costumava indicar os pedidos que os outros deveriam fazer. Daí te quebrei, te deixei gaga, e te apresentei cordeiro ao molho de menta. E você gostou.

Eu segurava sua mão sobre a mesa, onde uma frestinha iluminada da vela clareava o estreito espaço entre nós. E você me disse que implorava para esse momento paralisar e jamais acabar, e que jamais tinha sido tão mimada daquele jeito, e que ao segurar sua mão, a te indicar pratos de cordeiro ao molho de menta, a te servir taças de vinho e a te fazer me querer para sempre.

E num desabafo você me fala:...”Eu te adoro aos pequenos detalhes. Um deles é porque você tem esse olhar safado/cavalheiro de Matthew Mcconaughey. Ou talvez fosse só porque você é quentinho num dia frio. Eu gosto particularmente da parte quando está amanhecendo. Você é mais perfeito do que em outras horas do dia. Seus braços davam a volta no meu corpo e eu me sentia sedutoramente pequena e franzina. Acho que poderia me sentir pequena e franzina para sempre, ali. Eu ficava na cama e você ia se arrumando enquanto o quarto se perfumava de um aroma sexy, sedutor e selvagem. Aquela visão de ver você se vestindo, diria que é a melhor parte da sua abordagem de sedução. Você me arrastava até a cozinha, preparava omeletes, suco de laranja e café. Eu só assistia. Não fazia nada, a não ser deixar você cuidar de mim e de tudo. Nunca senti algo tão delicioso e simples quando saímos juntos. Você segura minha mão e assim ficava fácil da vida ganhar sentido. Acontecia em cada esquina, quando a gente parava para esperar os carros e você me beijava. E segurava a minha mão. E me beijava de novo. E de repente, eu pensei: acho que quero esse homem para sempre.”



Minha doce e eterna amada.

De mim você não esperou nada de elementar. De mim, eu sei, você sentiu saudade logo depois. Mas foi como num trecho de Lygia Fagundes Telles que o resto aconteceu.

(O meu “para sempre” virou um casamento com os mistérios. O seu “para sempre” eu nunca soube.)

Eu só sei que é do toque morno das minhas mãos sobre seu rosto frio que eu me lembro…Toda vez que a temperatura cai.



By- Cléo Araújo – Adaptação Porto Seguro

domingo, 22 de novembro de 2009

Driblando os momentos.


Fiquemos bem quietinhos respirando bem baixinho para enganar o relógio, driblar momentos, fazer nosso tempo.


Que seja longo, que não corra...

O homem absurdo é aquele que não se separa do tempo.

(Albert Camus)

Loucos por amor

cas002a
Uma mulher não perdoa uma única coisa no homem: que ele não ame com coragem. Pode ter os maiores defeitos, atrasar-se para os compromissos, jogar futebol no sábado com os amigos, soltar gargalhada de hiena, pentear-se com franjinha, ter pêlos nas costas e no pescoço, usar palito de dente, trocar os talheres de um momento para outro. Qualquer coisa é admitida, menos que não ame com coragem.


Amar com coragem não é viver com coragem. É bem mais do que estar aí. Amar com coragem não é questão de estilo, de gosto, de opinião. Não se adquire com a família, surge de uma decisão solitária. Amar com coragem é

caráter. Vem de uma obstinação que supera a lealdade. Vem de uma incompetência de ser diferente. Amar para valer, para dar torcicolo. Não encontrar uma desculpa ou um pretexto para se adaptar, para fugir, para não nadar até o começo do corpo. Não usar atenuantes como “estou confuso”. Não se diminuir com a insegurança, mas se aumentar com a insegurança. Não se retrair perante os pais. Não desmarcar um amor pela

amizade. Não esquecer de comentar pelo receio de ser incompreendido. Não esquecer de repetir pela ânsia da claridade. Amar como se não houvesse tempo de amar. Amar esquisito, de lado, ainda amar. Amar atrasado, com a respiração antecipando o beijo. Amar com fúria, com o recalque de não ter sido assim antes. Amar decidido, obcecado, como quem troca de identidade e parte a um longo exílio. Amar como quem volta de um longo exílio.

Amar com sofreguidão, não adiando o que é véspera. Amar não disfarçando as mãos, amar com os fantoches das mangas. Amar como uma canoa engatinha na margem, árvore deitada de bruços. Amar quase que por, por bebedeira, amar sem dizer por que ama. Amar desavisado, com vírgula entre o sujeito e o verbo. Amar desatinado, pressionando a amar mais, a amar mais do que é possível lembrar.

Amar com coragem, só isso.

By- Fabrício Carpinejar.

Formulário para envio de poesias, textos e declarações de amor

 
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